Think Tanks sobre Atlanta & Folksmoeders
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Em 1935, nas sombras do poder, Himmler criou, a 1° de Julho de 1935, o Ahnenerbe. A SS não queria apenas dominar o presente: buscava ressuscitar também um passado ancestral que fosse puro e invencível. Cientistas, ocultistas e oficiais partiram em expedições geladas, montanhas proibidas e ruínas esquecidas. Cada pedra, cada runa podia provar a grandeza ariana. Herman Wirth foi o co-fundador e primeiro presidente do instituto, foi o homem que acendeu o pavio. Visionário obcecado por símbolos primordiais, ele convenceu Himmler a lançar a primeira expedição oficial em 1936: uma missão a Bohuslän, na Suécia, para estudar gravuras rupestres que interpretava como um alfabeto atlante perdido. Wirth era o teórico, o sonhador; logo foi afastado da presidência em 1937, mas deixou sua marca indelével nas raízes do Ahnenerbe.

Platão, em Timeu e Crítias, pintou Atlântida com traços de fogo: uma ilha poderosa além das Colunas de Hércules, habitada por homens de sangue divino, mestres de engenharia, navios e leis. Platão não apresenta a história de Atlântida como mera invenção, mas como um relato transmitido com rigor através de gerações. Segundo ele, o sábio ateniense Sólon ouviu a narrativa por volta de 590 a.C. de um sacerdote idoso do templo de Neith, na cidade egípcia de Sais. O sacerdote afirmou que os egípcios guardavam registros escritos de nove mil anos, muito mais antigos que qualquer tradição grega, e que a ilha de Atlântida, localizada além das Colunas de Hércules, havia existido de fato. Sólon anotou o relato com a intenção de transformá-lo em um grande poema épico, mas morreu antes de concluí-lo. A história passou então para Dropides, depois para Critias, o Velho, e finalmente para Critias, o Jovem, que a narrou a Sócrates e aos seus interlocutores.Para reforçar a veracidade do relato, Platão menciona detalhes precisos — dimensões da ilha, estrutura circular da capital, metais preciosos, a guerra contra a Atenas primordial e o cataclismo súbito — e o contraste entre a sabedoria milenar egípcia e a juventude cultural dos gregos.
“Pois naquele tempo [o oceano] era navegável; diante da embocadura que vós, gregos, chamais Colunas de Hércules, havia uma ilha maior que a Líbia e a Ásia juntas. [...] Nesta ilha, a Atlântida, havia uma enorme confederação de reis com uma autoridade admirável que dominava toda a ilha, bem como várias outras ilhas e algumas partes do continente.” (Timeu, 24e-25a)
Essa ausência de provas externas não impediu que o Ahnenerbe e outros visionários posteriores tratassem o texto como um documento autêntico de uma civilização ancestral escondida. O instituto via ali o berço secreto dos nórdicos. Eles teriam surgido nas neves do norte europeu, cruzado o Atlântico Norte e erguido uma civilização tecnológica imbatível ao longo de milênios. O grande dilúvio — cataclismo que engoliu continentes — os dispersou como sementes de aço. Sobreviventes carregaram o sangue puro para a Escandinávia, o norte da Alemanha, os Países Baixos, as Ilhas Britânicas, os platôs do Tibete, as Canárias, os Andes bolivianos… e também para o Egito. No vale do Nilo, ergueram as estruturas monumentais, preservaram conhecimentos de astronomia, geometria sagrada e domínio sobre as águas. A ideia era que sangue atlante misturou-se ali ao antigo, mas nunca se perdeu por completo. Os seguidores se encontravam em círculos cerrados e perigosos. Salas enfumaçadas de Berlim ecoavam discussões sobre runas atlantes. Castelos isolados na Baviera recebiam Herman Wirth e seus discípulos, que decifravam símbolos ancestrais até o amanhecer. Expedições secretas ao Tibete, Heligolândia ou ao norte da África geravam relatórios trocados em noites de sigilo. Oficiais SS, em expedições remotas, comparavam mitos nórdicos com lendas egípcias e andinas. Fumaça, vinho e convicção. Essas visões formaram o coração negro do nazismo: superioridade racial absoluta, missão cósmica de dominação e a guerra eterna contra a degeneração semita.
Enquanto os atlantes erguiam metrópoles circulares de oricalco, dominavam os oceanos com frotas invencíveis e dominavam ciências que o mundo moderno ainda desconhece, Noé era apenas um homem simples, um lavrador de mãos calejadas. Não possuía engenheiros, nem metalurgia avançada, nem mapas estelares. Tinha apenas a voz de Deus e a certeza absoluta de que devia obedecer.
O ariano, herdeiro de Atlântida, estava destinado a renascer e subjugar o mundo. Segundo Alewyn J. Raubenheimer em Survivors of the Great Tsunami (2010), os frísios — o povo de Frya — atravessaram o cataclismo de 2193/2194 a.C. Um asteroide colossal golpeou o oceano, gerou tsunamis monstruosos e afundou própria Atlântida nórdica. Os frísios, assim como os semitas descendentes de Noé, escaparam do mesmo inferno aquático. Dois povos, duas linhagens arcaicas, preservados por forças invisíveis: uns no frio do norte, outros nas terras secas do Oriente Médio e no vale fértil do Nilo.
Frya’s Tex, gravado exatamente em 2194 a.C. no momento do afundamento, ditou as leis eternas. Um matriarcado austero e livre: as “mães do povo” (folksmoeders), mulheres sábias, celibatárias e incorruptíveis, governavam as cidadelas. Elas decidiam justiça sem rei, sem tirano. Autossuficiência absoluta, honestidade sem sombra e liberdade sagrada. A proibição da escravidão era ferro: “Não admitiremos entre nós senão gente livre”. Ninguém nasceria acorrentado. Cada homem e mulher devia bastar-se, arar sua terra, defender o clã com a própria mão, falar apenas a verdade. A mãe do povo garantia ordem sem opressão. Porém, a história registra: o Oera Linda Book, que guarda o Tex, é uma falsificação comprovada do século XIX. Linguagem moderna, papel recente, contradições históricas gritantes. Acadêmicos o desmontaram sem piedade. Muitos, ainda assim, recusam a refutação. Chamam-na de conspiração judaica ou acadêmica para enterrar a verdade ancestral. Insistem que o véu foi rasgado apenas superficialmente. Por isso, a caçada recomeça sempre no ponto inicial: nazistas vasculhando gelo, cavernas, pirâmides e ruínas, famintos por vestígios que provem, de uma vez por todas, que o sangue de Atlântida ainda corre puro nas veias do norte — e ecoa nas areias do Egito.
A busca nunca termina.

Até a próxima,
Flavia



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